sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Restauração: à direita, à esquerda ou pelo Brasil?



Por: Vladimir Braun

Aos monarquistas do Brasil,



Quero compartilhar alguns questionamentos que surgiram a partir da observação dos compartilhamentos e opiniões manifestadas por outros monarquistas.



Em primeiro lugar, cumpre esclarecer uma coisa: Somos um movimento sério que busca a restauração da monarquia parlamentarista ou meramente um grupo anti-esquerda?



Digo isso por ver que uma quantidade relevante de manifestações tem um forte conteúdo de repúdio ao atual governo, coisa que é razoável, porém não coerente com nosso propósito enquanto um movimento organizado.

O movimento monarquista brasileiro não pode se pautar por ideologias à direita ou à esquerda. Nossa meta deve ser unicamente a restauração de um Estado plural e democrático
 

Assim como sustentamos e se diz de um monarca, acredito que não cabe a nós, enquanto monarquistas, agir com uma orientação ideológica nos termos de direita e esquerda.



Nosso foco, ao meu ver, está justamente em restituir ao nosso país uma forma de governo eficaz e, de tabela, a dignidade.



A resistência verificada ao apresentar nossa proposta a amigos ou outras pessoas é justamente a associação, na esmagadora maioria das vezes equivocadíssima, da monarquia com o Absolutismo, a tirania, a repressão política. Ou a caracterização do movimento monarquista como uma agremiação de velhos saudosistas e desligados da realidade nacional, que passam tardes cultuando nossa família imperial deposta e sonhando com o dia em que Dom Pedro II retornará para endireitar o Brasil e acabar com as iniquidades da República como se fosse Jesus no apocalipse.



Essas concepções negativas e errôneas de nós, nossos planos e objetivos, só pode ser desfeita com uma iniciativa forte e eficaz de comunicação e divulgação de nossas ideias. Ora, um dos nossos pontos principais não é justamente realizar uma reforma do Estado para que ele esteja protegido do controle de partidos e correntes ideológicas? Não estamos dizendo às pessoas "que haja representação de todos os pensamentos em nosso Parlamento e que se faça a democracia, mas o Estado Brasileiro permanecerá incólume"?



Ao misturar nossas visões particulares sobre política, economia, religião e etc. nas manifestações associadas ao movimento de restauração estamos gerando uma confusão contraproducente em nossa comunicação com o povo. Estamos dando espaço para que nos associem com partidos e ideologias, quando deveríamos dizer "queremos um país melhor em qualquer condição, sob qualquer governo. Que o povo escolha!".

Ao misturarmos nossas concepções particulares ao movimento que defendemos, muitas vezes criamos uma confusão na cabeça de possíveis simpatizantes... e isso é contraproducente para a causa
 

Isso, de fato, é uma pedra em nosso caminho. Uma vez que predominam concepções distorcidas daquilo que é a restauração, associando a monarquia – ironicamente – a um governo praticamente totalitário, é necessário esclarecer de forma definitiva que se trata de um governo democrático.



Isso significa explicar à população que não estamos defendendo o governo absoluto do Imperador, e que haverá um Parlamento democraticamente eleito. Isso equivale a explicitar que continuarão a existir os diversos partidos, a participação política do cidadão e que não está ameaçado pela monarquia, pelo contrário, se reforça por meio dela.



Significa, sobretudo, dizer que estamos propondo um Estado que ofereça condições melhores para que ocorra o processo democrático e não que estamos confinando a democracia às nossas convicções políticas particulares.



Imaginemos algo que parece improvável (pelo menos nesse momento para mim), uma pessoa de esquerda que se interesse em se tornar monarquista. Esta pessoa encontraria um ambiente hostil, e isso não deveria ser assim.



De fato, nós DEVEMOS trazer para nossa causa tanto pessoas de direita quanto de esquerda, contanto que concordem que independentemente do governo eleito pelas vias democráticas a estabilidade do Estado e suas instituições não devem ser danificadas em nome de interesses particulares.



Nós devemos trazer para nossa causa BRASILEIROS.



Para mim essa é a pedra angular de nossa visão: Um país estável e sólido, capaz de funcionar democraticamente e livre do risco de crises institucionais e golpes de estado.



Portanto, devemos entender e propagar a ideia de que uma nação, assim como um carro, não chega a lugar nenhum se for capaz de virar apenas à esquerda ou à direita. Esse país, assim como este carro, andará quando muito, em círculos. E se o afã for tanto que lhe extirpem as rodas de um lado, ele não irá a lugar algum. É necessário que faça curvas aos dois lados conforme a necessidade.



É necessário convencer o povo não de que devemos condenar em primeiro lugar a República e o stablishment, mas sim de que temos soluções viáveis para responder às demandas do Brasil, tanto de um lado quanto de outro.



Devemos então, sim, nos elevar em relação às discussões mesquinhas dos grupos conflitantes. Esse é nosso desafio, creio: ter a parcimônia de aproveitar aquilo que se produz em benefício do país e apontar aquilo que o prejudica por ferir sua soberania. 

Se associarmos o movimento monárquico a visões únicas da direita ou da esquerda acabaremos por andar em círculos e não chegaremos a lugar nenhum
 
A meu ver é por isso que nossa causa é nobre. Somos aqueles que pensam uma solução para o BRASIL, não para os interesses partidários, ideológicos, ou utópicos que precisam utilizar nosso país como plataforma. Que tenhamos nossos posicionamentos, isso é parte da democracia. Mas não esqueçamos: Nosso país é a nossa finalidade.