sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Apesar das propagandas eleitorais, realidade escolar brasileira ainda é crítica



Por: José Boas

Em pleno período eleitoral Lula e Dilma buscam, a todo custo, demonstrar que a década que passaram no poder promoveu “avanços na educação nunca antes vistos neste país”. Mas embora as caríssimas campanhas eleitorais pagas pelo PT – e por seus patrocinadores eleitorais – tentem mostrar fabulosos avanços no setor, a verdade crua de quem conhece as salas de aula em todos os níveis educacionais é tão alarmante quanto em períodos anteriores a eles.

Apesar do Bolsa Família exigir que filhos dos beneficiários estejam matriculadas, evasão escolar em cidades atendidas pelo programa chega a atingir índice de 45,5% em alguns anos. Realidade preocupa o MEC, mas governo vende realidade completamente diferente durante campanha eleitoral.
Um dos principais argumentos levantados por eles segue a matemática simplória do número de matrículas realizadas. Estas, inegavelmente, tiveram um avanço significativo, dado que um dos requisitos básicos para que as famílias assistidas pelo programa Bolsa Família recebam o benefício é ter as crianças da família matriculadas na escola.

O que Lula e Dilma não contam é que a quantidade de crianças matriculadas nas escolas públicas brasileiras – de Norte a Sul – e que abandonam os estudos no meio do caminho ainda é alarmante. É tão alarmante que, em reunião pública recentemente realizada no Senado Federal o atual ministro da educação, Henrique Paim, reconheceu que persistem problemas de “qualidade e de inclusão, pois, logo no primeiro ano do ensino médio, o índice de reprovação é de 30%, fator que está relacionado também à evasão escolar”.

Em linhas gerais o que isso quer dizer? Quer dizer muitas coisas, mas nenhuma delas muito animadoras.

Em primeiro lugar isso quer dizer que, a despeito de haver uma exigência formal por parte do governo frente aos beneficiários do Bolsa Família, o programa que custa R$ 16 bilhões aos cofres públicos por ano (quatro vezes o que vem sendo aplicado em saneamento básico no mesmo período) não vem conseguindo manter as crianças e jovens brasileiros nos bancos escolares... o que faz do Bolsa Família mais um programa político populista, caro e ineficiente.

Em segundo lugar quer dizer que pouco adianta a matrícula formal se nem pais, muito menos os jovens, reconhecem o valor da educação formal para o exercício da cidadania e para a sua futura inclusão no mercado de trabalho. Em Jundiaí-SP, por exemplo, a evasão escolar chega a atingir picos de 128% entre um ano e outro, como declara a própria prefeitura. "A maioria dos adolescentes consegue convencer os pais de que não quer mais ir para a escola e eles acabam sendo coniventes com isso", diz a pedagoga Rosana Bigioto, apontando para um problema que classifica como cultural. "Dependendo da realidade social da família, a educação não faz parte da cultura. Os pais não terminaram os estudos e acham que é mais importante trabalhar, conseguir o primeiro emprego logo", avalia.

Mãe e filho de dez anos descascam mandioca colhida em pequena propriedade rural no Vale do São Francisco. A educação formal ainda é desvalorizada por boa parte da população brasileira, o que perpetua o quadro de abandono social destas famílias geração após geração.
 Quer dizer também que o vergonhoso índice de 75% da população brasileira composta por analfabetos funcionais perdurará por mais alguns anos, compondo um quadro bastante complicado para um país que necessita cada vez com maior volume de mão de obra qualificada para recuperar seu parque industrial e renovar sua força de trabalho diante de um mercado global cada vez mais competitivo e especializado.

E onde isso tudo deságua, perguntam-se os leitores! Deságua, enfim, nos bancos... em três, especificamente: nos bancos federais que receberão, em breve, mais uma geração de pessoas completamente desqualificadas e que dependem do Bolsa Família para sobreviverem, nos bancos das delegacia de polícia – cada vez mais lotados de marginais que trocaram a escola pelo crime – e, enfim, para os que lá chegam, nos bancos de nossas faculdades e universidades.

Poderíamos imaginar que este terceiro segmento merece méritos e aplausos não fossem os apontamentos de outro estudo recente que mostra que houve aumento – entre 2010 e 2013 do índice de jovens que ingressam em nosso ensino superior, mas que também são analfabetos funcionais. Em 2009 este índice era de 38% dos estudantes, agora é de 50%!

De acordo com o pedagogo Fernando José de Almeida, “Parte da culpa desse alarmante dado está na proliferação de faculdades de qualidade discutível no Brasil! (...) Uma grande parte dos centros de ensino não avalia com o devido rigor os seus futuros estudantes, que, muitas vezes, entram na faculdade sem o preparo necessário para os cursos”. Esta junção de faculdades caça-níqueis de um lado e alunos desqualificados de outro acabam por gerar o atual quadro clínico no setor educacional do Brasil: o Brasil caiu, mais uma vez, no ranking mundial de competitividade mundial. Em 2011 o país ocupava a 53ª posição, já em 2014 caiu para a 57ª.

Outro dado preocupante que se apresenta foi recentemente divulgado por um estudo realizado em conjunto pela USP, UEL e UEPG e dão conta que, mesmo nos melhores centros de ensino superior do Brasil a evasão é ainda gigantesca, conforme mostra quadro abaixo.

Com a desvalorização do magistério, poucos são os alunos motivados a concluírem os cursos das matérias fundamentais das escolas brasileiras. A desvalorização acaba por retirar da cadeia competitiva justamente os melhores alunos, que optam por outras atividades melhor remuneradas, sobrando para o sistema de ensino cada vez menos bons professores.
Essa triste realidade, atualmente, nos coloca em uma vexatória 88ª posição no ranking mundial de educação, que conta com 122 países, e o quadro fica ainda pior quando selecionadas somente disciplinas como matemática e ciências. Com este recorte o Brasil fica entre as 15 últimas nações relacionadas (112° lugar)!

Fontes: