quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A Belíndia ainda é aqui!

Por: José Boas
Belíndia (corruptela dos nomes Bélgica e Índia) é um termo cunhado há três décadas para designar a então situação de absurda desigualdade social vivida pelo Brasil de então. Segundo o termo o Brasil dividia-se em duas nações completamente opostas, pois se por um lado havia pessoas carentes dos mais básicos itens de bem-estar (moradia, alimentação, vestuário...) por outro havia um restrito grupo de brasileiro que tinha qualidade de vida e padrão de consumo iguais ou superiores aos de países mais ricos do mundo. Ou seja, um Brasil vivendo na Bélgica (o mais rico) e outro na Índia (o mais pobre).
Ocorre que atualmente – em várias oportunidades – a presidente Dilma Rousseff, voltou a tecer elogios ao seu governo por haver “diminuído como nunca as desigualdades sociais no Brasil”, fato que por si só – segundo ela – a credenciaria para um segundo mandato no comando do Palácio do Planalto. Tanto isso tem sido repetido que tomou ares de mantra para os seus eleitores por todo o país durante este período eleitoral.
 
O contraste entre o que o governo propagandeia e o que ocorre no Brasil real é um fenômeno que ocorre há gerações, mas que ainda surte resultados eleitorais positivos para políticos demagogos
De fato, se observados os recentes dados oferecidos pelo IBGE através do Pnad há que se reconhecer que houve avanços significativos no quadro das desigualdades sociais nesta última década, fazendo entrar no mercado consumidor uma parcela significativa da sociedade, marcando o que poderia se supor como uma superação do quadro anterior e uma melhora no cenário internacional.
Porém o carro-chefe da campanha à reeleição de Dilma vem, como se diz no litoral brasileiro, “fazendo água” e já dá sinais de forte risco de naufrágio em pouco tempo. Essa constatação é demonstrada por alguns números que contradizem o já desacreditado Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e vêm tanto do exterior quando de dentro dos próprios órgãos do governo federal.
Em seu último relatório sobre o tema a ONU classificou o Brasil como sendo – ainda – o oitavo país mais desigual do planeta e o penúltimo colocado entre os países do G20 (melhor apenas que a África do Sul). Segundo a Organização, a despeito de alguns bons avanços pontuais, isso põe em xeque a meta assinada pelo Brasil de diminuir pela metade as desigualdades sociais até o ano que vem.
Não bastasse esse puxão de orelhas vindos de Nova Iorque, recente estudo realizado pela Universidade de Brasília, tomando como base as declarações do imposto de renda de pessoa física (IRPF-MF) dos últimos sete anos, afirma que a disparidade entre ricos e pobres no Brasil permaneceu inalterada neste período. Esta metodologia é mais objetiva do que a utilizada pelo Pnad, pois retira dados de informações mais próximas da realidade e menos suscetível a suposições por parte do entrevistado.
Fato interessante: quanto mais centralizado o poder, maiores são as desigualdades sociais. No quadro da esquerda todos os países têm governos centralizados e passaram por períodos ditatoriais em sua história recente; já no quadro da direita todos os países são grandes democracias, com governos descentralizados
  O dado mais alarmante da pesquisa demonstra que, ainda hoje e desmentindo as propagandas governamentais, os 5% mais ricos da população ainda detém 50% da renda nacional, variando muito pouco daquilo que era há trinta anos. Essa concentração de renda causa riscos para toda a economia, como afirma um dos coordenadores do estudo, o Dr. Marcelo Medeiros. Segundo ele “o que acontece com eles [os mais ricos] determina muito do que acontece com a população em geral. Temos que reavaliar o que sabemos sobre a desigualdade. Não adianta negar os fatos. A hora é de reconhecer que temos um problema para entendê-lo e melhor poder enfrentá-lo”.
 Quais conclusões podemos tirar de tudo isso?!
A primeira é mais óbvia: mais uma vez o atual governo da república mente! E o faz da maneira mais descarada do mundo ao escamotear dados tão importantes sobre o país que diz administrar; a segunda é que o Planalto deveria seguir o sábio exemplo dos cientistas da Universidade de Brasília e adotar um posicionamento mais humilde diante dos fatos, parando com sua peculiar verborragia publicitária e encarando a realidade com um tanto mais de seriedade, e; a terceira diz respeito ao bolso de cada brasileiro, pois para custear programas federais de “redistribuição de renda”, hoje desembolsamos juntos nada menos que R$ 16 bilhões ao ano e, pelo que podemos notar, sem nenhum retorno satisfatório... estamos investindo em tinta acrílica para pintar uma casa condenada ao desabamento.
O populismo é, sem a menor dúvida, o imposto informal mais caro pago pelos setores produtivos da sociedade brasileira
 Quem perde com isso tudo?
Nesse misto de desonestidade governamental, prepotência ideológica e irresponsabilidade fiscal, perdemos todos! Os que mais perdem são aqueles que nunca ganharam, mas que emprestam sua pobreza para o Planalto fazer palanque ao populismo (o mais caro imposto não oficial pago pelos brasileiros desde 1930); também perde todo o setor produtivo da sociedade, pois convenhamos que um orçamento de R$ 16 bilhões ao ano desviados de nossos municípios para custear um programa eleitoreiro e nada eficiente, que amordaça pelo estômago 25% dos eleitores do Brasil, faz falta a setores que – historicamente – já demonstraram maior eficiência no combate à pobreza como educação, infraestrutura e produção de alimentos, e; perde a democracia, pois como se vê, até nas campanhas eleitorais de rádio e TV, cria-se uma nova modalidade de voto de cabresto, pois sob a ameaça de, eleito outro candidato que não aquele pretenso “dono do programa”, a fonte da esmola secará.
Enfim, como já é de meu hábito afirmar, eis mais prova inconteste de que esta ré-pública nos FALIU!!!!

Fontes:
Portal G1 - http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/09/dilma-justifica-discurso-ao-responder-se-foi-ny-tambem-como-candidata.html