sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Brasília, a Versailles sem muros do cerrado brasileiro (parte 1)


O Tribunal de Contas da União e o sobrepreço dos banquetes oferecidos pelo Itamaraty

Por: José Boas

Já não é novidade para absolutamente ninguém que o atual governo – inquilino do Palácio do Planalto há mais de uma década – vem se notabilizando por gerar contradições absurdas, mas algumas têm se tornado tão gritantes que chamam a atenção pela falta de bom senso até em responder as perguntas mais óbvias.

Palácio dos Arcos, sede do Itamaraty, em Brasília - sobrepreço do custo dos banquetes e recepções do Minsitério das Relações Exteriores chega a 530% dos custos normais de mercado
 
Recentemente, em auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União, o Itamaraty foi citado por praticar sobrepreço em diversos itens do cardápio oferecido em recepções a chefes de Estado e de Governo estrangeiros... as contas são tão absurdas segundo o relator, Ministro Benjamin Zymler, que itens idênticos encomendados pelo Senado Federal para os mesmos fins têm valores até 530% inferiores aos pagos pelo Ministério das Relações Exteriores.

Um exemplo é o custo do café da manhã dos cerimoniais: enquanto no Senado o custo por pessoa não passa de R$ 30,00, no Itamaraty o valor pula para assustadores R$ 159,09!

Mas é este mesmo governo, perdulário irresponsável do dinheiro que não lhe pertence, aquele que se dirige ao povo e afirma que falta dinheiro para a saúde, educação e segurança e que vende um golpe publicitário atrás do outro para convencer a população de que tudo está sob controle e que ainda vai melhorar muito!

Ora, pergunto eu às pessoas que me leem: como “melhorará muito” se nossa balança comercial aponta para a o maior défcit em treze anos; como “melhorará muito” se, pela primeira vez no mesmo período, teremos défcit público (superior a R$ 20 bilhões); como “melhorará muito” se nossa dívida pública já ultrapassa com folga a casa dos 50% do PIB nacional; como “melhorara muito” se as obras de infraestrutura necessárias para agilizar nossa produção e aumentar nossa competitividade no mercado externo andam a passos de lesma; como “melhorará muito” se nossa educação é um fiasco internacional?!?!? Como “melhorará muito”?!?!

Enquanto cada empresário, produtor rural, dona-de-casa ou assalariado deste país – a verdadeira força produtiva da nação – apertam seus cintos para pagar as contas no final do mês, alimentando um governo ineficiente com uma carga tributária cada vez mais alta – um verdadeiro assalto institucional – a cada ano que passa, há aqueles que acham normal e aceitável que um simples café da manhã custe R$ 159,09 saídos do bolso de todos nós!

Maria Antonieta da França, tão descolada das reais necessidades do povo que, ao ser informada que o povo não tinha pão, sugeriu que os famintos escolhessem brioches. Foi decapitada junto com o marido e se tornou símbolo eterno de governos caros e ineficientes
 
Por comportamento igual – é necessário que se avise os atuais habitantes do Palácio do Planalto – Luis XVI e Maria Antonieta tiveram suas cabeças expostas em praça pública há mais de dois séculos na França... o povo daquele tempo, a força produtiva francesa, cansou-se de manter na administração estatal um grupelho irresponsável, dispendioso e ineficiente que banqueteava em talheres de prata enquanto a classe trabalhadora e empreendedora passava fome e vestia trapos.

Vamos esperar que cheguemos, nós, a este ponto para darmos um basta?! O que estamos esperando para darmos também nosso grito de liberdade?!