quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Aécio, transparência opaca?! Ética pela metade?!

Por: José Boas

Hoje a Comissão de Constituição e Justiça do Senado poderia ter contribuído efetivamente no sentido de dar às eleições brasileiras mais transparência e coerência; hoje os senadores poderiam ter demonstrado aos brasileiros que seus mandatos estão plenamente a favor da democracia; hoje poderíamos  ter avançado e deixado para trás a ética meramente formal, a transparência opaca que reside em leis cheias de “ora vejamos”, ótimas para que advogados espertalhões livrarem seus clientes crápulas da culpa inescapável através de um emaranhado de recursos sem fim... Poderia a CCJ, poderiam os senadores, poderíamos nós... mas não foi o que aconteceu, mais uma vez.

Pela atual legislação os partidos são obrigados a declarar as doações que recebem, mas caso não declarem, não sofrem nenhum tipo de reprimenda legal... caminho aberto para o Caixa 2 nas campanhas. Nova lei obrigaria a declaração e imporia multa de, no mínimo, R$ 10 mil ao partido que não o fizesse.

Hoje foi apreciado o Projeto de Lei que obrigava os partidos políticos a declararem a origem do dinheiro arrecadado para financiar as campanhas eleitorais. O Projeto é ótimo, principalmente porque dá mais transparência ao processo e diz quem apoia quem; quem financia quem; quais os interesses escondidos por trás de cada real investido dentro desta ou daquela campanha; quais são as empresas que financiam todos os candidatos para que eles fiquem seus reféns após as eleições; quais são as empreiteiras que corrompem os candidatos para chantagear os eleitos... foi votado e foi rejeitado por uma margem apertadíssima: dez votos contra e nove a favor. Apenas UM voto tirou do Brasil a chance da transparência; apenas UM voto manteve o patrocínio das campanhas às escuras; apenas UM voto... um voto que fez toda a diferença e pesou mais uma vez a balança dos interesses contra o povo brasileiro.

Muitos dos senadores que votaram não surpreenderam, já tinham posição definida porque carregam consigo os vícios do coronelismo e querem a manutenção das coisas assim como elas estão... mas um voto em especial chamou a atenção e pode até mesmo ajudar a definir a corrida presidencial do ano que vem.

Aécio Neves (PSDB-MG) foi um dos dez senadores a votar contra o Projeto. Se tivesse votado a favor da proposta de obrigar os partidos a declarar as fontes de suas rendas, Aécio teria ajudado o Brasil a ter eleições mais claras, limpas e éticas... mas preferiu ficar do lado obscuro da lei; preferiu o velho sistema; preferiu entrar para o balaio dos coronéis que fundaram, pelo golpe, a república em 1889.

Aécio contradiz, assim, todo o discurso feito por ele e por seu partido até agora em busca da simpatia do eleitorado nacional... como um partido pode se dizer democrático se defende a obscuridade? Como pode se dizer ético se se posiciona a favor do principal instrumento de formação de “caixa 2” das campanhas? Como pode falar de transparência na administração pública de defende uma posição diametralmente oposta?

Aécio Neves votou contra o texto da nova lei... agora terá que explicar o inexplicável aos eleitores. Postura muito ruim para quem procura angariar simpatias e fazer contra-ponto ao governo que até hoje nega o mensalão

Senador, como o senhor pretende ser presidente de um povo ao qual nega – pelo seu livre voto – o direito à informação? Como o senhor quer convencer o eleitorado de que é a melhor opção para a nação se seus posicionamentos como parlamentar atestam exatamente o contrário? Como o senhor quer afirmar que suas propostas são progressistas se seu comportamento prima pelo retrocesso?

Senador, o senhor que me perdoe, mas eu não me sento “para conversar” com quem negligencia a democracia, a ética e a transparência desta maneira.

E então, Aécio, existe ética pela metade? Qual será o “veja bem” que nos será empurrado goela a baixo desta vez? Como, Aécio, explicar o inexplicável?