sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Principais economias do mundo demoram a sair da crise e evidenciam problemas domésticos da economia brasileira


A deterioração econômica nos países desenvolvidos e a desaceleração da China revelam com maior nitidez fragilidades antigas da economia brasileira, como a falta de investimentos em infraestrutura e baixa competitividade industrial

Por: Luís Guilherme Barrucho

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Para os economistas e especialistas em comércio exterior, o Brasil não está imune ao revés causado pela crise financeira internacional. Para eles, muito embora seu impacto nas contas do país apresente efeito “comedido”, a baixa produtividade e competitividade, aliadas a deficiências de infraestrutura, constituem alguns dos principais empecilhos para um crescimento mais robusto.

É nesse momento que nossos pontos fracos, como uma taxa de investimentos em relação ao PIB ainda baixa, que não foram totalmente mitigados, acabam atravancando nosso crescimento”, afirma Francisco Lopreato, professor de economia da Unicamp, em São Paulo.

Para outro especialista na área, Sílvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria,  a lógica é simples. Sem estradas de boa qualidade e uma baixa produtividade do trabalhador, o preço dos produtos brasileiros tende a ficar mais caro, perdendo espaço para os importados internamente e sofrendo concorrência acirrada no exterior, o que acaba por afetar nosso crescimento (...) É lógico que a crise internacional tem sua parcela de culpa, mas se tornou um álibi do governo para explicar a letargia da economia”.

Na última década o Brasil experimentou mais um ciclo de desindustrialização e volta a patamares próximos ao dos anos JK
 
Reformas - Para os economistas, o Brasil “desperdiçou a oportunidade” de realizar reformas essenciais em meio à bonança econômica durante o último governo. Na ocasião, a economia cresceu a patamares elevados, desafogando, por exemplo, o setor produtivo, que ainda sofre com uma infraestrutura precária.

Com gargalos logísticos ainda não solucionados, além de problemas crônicos estruturais, como uma elevada carga tributária e uma poupança baixa, o Brasil dificilmente conseguirá manter um crescimento sustentável de sua economia”, disse Campos Neto.

Na opinião dos analistas, o país precisa de reformas para aumentar o nível de produtividade e reduzir custos operacionais e no momento atual, de crise nos países desenvolvidos, deverá fazer isso com um fluxo de capital externo agora menor, o que torna o processo mais difícil.
Por conta de todos estes fatores, o atual cenário estaria levando investidores a “pisar no freio” com relação aos aportes no país.

Por isso, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, o Brasil encontra-se num patamar diferente do que há quatro anos, quando atravessou, sem grandes sobressaltos, o início da crise financeira internacional.

Com as exportações brasileiras afetadas pela queda no preço internacional das commodities e o consumo interno com menor espaço para crescer devido a níveis mais altos de endividamento das famílias e inadimplência, o país teria agora sua “capacidade de manobra” reduzida para ensaiar uma retomada da economia.

Embora o agronegócio seja importantíssimo para a Balança Comercial brasileira,o valor agregado de seus produtos é baixíssimo e, consequentemente, não consegue promover um amplo incremento na economia

 Analistas também destacam a pauta limitada de exportações brasileiras, compostas sobretudo por commodities de baixo valor agregado, como soja e carne.

Grécia e China - Além das incertezas trazidas pela crise europeia, sobretudo com os sérios problemas fiscais vividos por vários países como Grécia, Portugal, Itália e Espanha, outro fator de grande preocupação para o Brasil é a desaceleração da China.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil e o principal comprador de commodities brasileiras. A alta nos preços e a voracidade chinesa explica, em grande parte, o crescimento registrado na economia nacional nos últimos anos.

Para contornar a baixa no comércio internacional e a queda nas exportações, o governo tem adotado várias medidas para estimular o consumo e impulsionar o crescimento.

Outros dois fatores de preocupação são: o retorno do IPI sobre os veículos aos patamares que vigoravam até abril de 2012 e a queda da produção e consumo de bens semiduráveis, como eletrodomésticos registrado ao longo dos últimos seis meses.

Fonte: BBC Brasil
http://www.bbc.co.uk