quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Brasil dos números maquiados

Por: José Boas

Com vistas às eleições de 2014 o governo federal busca, a todo custo, sustentar posições e números fantasiosos e afasta bons investidores externos, transformando o Brasil em um paraíso para aventureiros



O Palácio do Planalto vem se especializando em produzir números fantasiosos para esconder sua total irresponsabilidade ante a economia e a sociedade brasileira. Em sua sanha para garantir o voto dos mais pobres, faz malabarismos contábeis e estatísticos que, aos olhos de investidores e analistas sérios internos e externos, demonstram claramente a displicência que impera na Esplanada dos Ministérios.

Elementos como a inflação, taxa de juros, dívida pública, infraestrutura e investimento em educação e saúde, por exemplo, são tratados por Dilma Roussef e seus assessores como programas de marketing que, aos olhos do grande público brasileiro, parecem compor a melhor gestão já vista no Brasil republicano, mas tal como a maioria das outras administrações que a antecederam, vicia-se em criar fachadas e slogans para esconder a irresponsabilidade e a incompetência que tomam todo o Executivo e larga parte do Legislativo nacionais.

Inflação – analistas brasileiros de vários institutos, baseados em pesquisas de preço e mercado questionam os índices apresentados por Guido Mantega que apontam a inflação brasileira de 2013 na casa dos 5,8%. Segundo seus cálculos, a inflação para os principais itens de consumo das classes C e D da população já marca a casa dos 7,5% e tende a subir ainda mais nos próximos quinze meses.

A inflação somente aparece neste patamar, explicam, porque o governo mantém um conjunto de preços sob seu domínio, controlando-os artificialmente, como é o caso dos combustíveis, do transporte de pessoas e do gás de cozinha. Quando estes preços precisam ser reajustados, a inflação real aparece, mas então somente vemos em números o que a população assalariada já vinha sentindo no bolso há muito tempo.

Taxa de juros – para tentar conter a inflação o governo vem aumentando a taxa de juros. Por dois anos o Banco Central cedeu às pressões dos grupos políticos que compõem o governo e procurou baixar a taxa de juros, garantindo liquidez de mercado e favorecendo o consumo, mas esta medida provou ser – como vários analistas avisavam – um enorme tiro no pé, pois provocou ainda mais a pressão inflacionária.

As taxas de juros somente caem realmente quando o Estado diminui seus gastos e isso não vem acontecendo no Brasil. Ao contrário, o governo procura aumentar ano após ano o volume de dinheiro jogado na economia do país; esta medida, que parece boa, se não for gerenciada com o devido cuidado, acaba criando distorções sérias e aumentando a falsa impressão de crescimento. O problema disso tudo é que uma hora a conta chega e a euforia dá lugar à preocupação, avisam os analistas do próprio Banco Central.

Dívida Pública – com este cenário já montado o governo precisa financiar a própria irresponsabilidade sem chamar muito a atenção. Mas, como fazer isso?

Ao invés de imprimir moeda para custear seus gastos como fizeram governos anteriores como os de Sarney e Collor, Dilma e Mantega imprimem títulos da dívida pública e os vendem no mercado, aumentando o volume de dinheiro em caixa para custear sua aventura eleitoreira.

Com a inflação real cada vez mais próxima dos dois dígitos, a população assalariada começa a notar que as promessas do governo não passam de jogadas de marketing muito bem elaboradas. 
Estes títulos são, via de regra, muito atraentes por apresentarem uma taxa de juros alta – as maiores do mundo – e chamam a atenção de investidores que, querendo garantir bons lucros, financiam a crescente dívida pública do Brasil.

Qual é o problema neste caso? O problema é que, como qualquer dívida, tenha ela o prazo que tiver, em um determinado momento precisa ser paga pelo Estado que a contraiu. O governo apresenta uma dívida líquida decrescente, hoje na ordem dos 30% do PIB, mas na realidade seu volume já se aproxima do dobro disso (atualmente está em 57% do PIB) e passa a ser fator de preocupação para o futuro.

Infraestrutura – há saídas para estes problemas? Sim, mas demandam investimentos reais em setores da economia que o atual governo, quando faz, o faz de maneira bastante tímida.

Se para a crise financeira suas palavras buscam sempre diminuir os números, no caso dos investimentos ocorre exatamente o contrário: procuram majorar o quanto possível os valores, na busca de também garantir a simpatia daqueles que nada entendem do que é divulgado na grande mídia.

Exemplo disso são os investimentos em infraestrutura realizados nos últimos onze anos. A esmagadora maioria daquilo que efetivamente avançou no Brasil neste período, principalmente na área de transportes e energia, ocorreu por ações da iniciativa privada. Em outros momentos, quando o Palácio do Planalto agiu, usou o BNDES como agência política, emprestando dinheiro a empresas que financiam suas campanhas eleitorais, como é o caso da OGX e da Friboi, por exemplo, deixando de lado outros setores verdadeiramente competitivos e que demandam há décadas maior atenção.

Educação – segundo as palavras de Aloísio Mercadante, em breve o Brasil atingirá o patamar de excelência em educação encontrados na Noruega e no Canadá, dado que o número de analfabetos vem caindo ano a ano e os investimentos na área de ciência e tecnologia nunca foi tão elevado.

O problema é que toda esta auto-publicidade contradiz o próprio IBGE que acabou de informar que o número de analfabetos no Brasil voltou a crescer e que o índice de analfabetismo funcional continua elevado. Em um estalar de dedos a taxa de analfabetismo do senhor Aloísio Mercadante salta dos 8,5% para assustadores 1/3 da população economicamente ativa do Brasil, número mais condizente com a o mundo experimentado por qualquer pessoa ou empresa que demande mão de obra minimamente qualificada.

Aloísio Mercadante vende um Brasil irreal. Investimentos em educação são mal gerenciados e o país amarga péssimos resultados internacionais.
Outro dado a gritar contra o senhor ministro Mercadante é o fato de o Brasil não ter nenhuma de suas universidades – públicas ou particulares – citada na lista das duzentas principais instituições de ensino do mundo e o país ocupar o 88o posto no ranking mundial da educação.

Sendo assim resta-nos uma só certeza: perdemos uma década. E não uma década qualquer, mas a principal década após a II Guerra Mundial, pois tivemos em nossas mãos um contingente gigantesco de jovens para serem formados – e que não foram; empresas a serem incentivadas – e que não foram; mercados a serem explorados – e que não foram... muito pelo contrário, nossos jovens foram mantidos na indigência intelectual, nossas empresas foram sabotadas e novos mercados não foram conquistados. Fomos engolidos por quimeras publicitárias de excelente qualidade e paupérrimas em verdade.

Quem mais pagará por isso tudo? O mais pobre, o assalariado, o que demanda maior assistência em educação e o que precisa de emprego... eis outra contradição deste governo que foi eleito jurando que cuidaria dos interesses justamente destas pessoas.