sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Governo faz vista grossa ao perigo de estouro da bolha de crédito no Brasil


O nível de endividamento das famílias já atingiu 45,36%, informou BC, e especialistas alertam para bolha de crédito e “crise do calote”

Por: José Boas

No final da semana passada o Banco Central divulgou seu relatório anual sobre o endividamento da pessoa física no Brasil. Nele, pode-se notar um crescimento sistemático no nível geral de endividamento das famílias e na parcela da renda familiar comprometida com dívidas.

Famílias endividadas – atualmente o percentual de famílias endividadas no Brasil gira em torno dos 63% sendo que, no mesmo período do ano passado o patamar não passava dos 58,5% e em 2011 era ainda menor (cerca de 58%). Maceió-AL, Curitiba-PR e Florianópolis-SC, segundo a Fecomércio-SP, figuram como as capitais com maior número de famílias endividadas: aproximadamente 75%.

 
Segundo dados do Banco Central, famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas. Aumento da inflação agrava ainda mais o quadro

Nível de endividamento – avançando pelo oitavo mês consecutivo, o nível de endividamento também atingiu uma nova marca recorde (45,36%) e supera a já alta marca do ano passado (43,44%).

O índice começou a ser medido em 2005, quando o endividamento das famílias estava em um patamar bem menor: 18,39%; já em 2007 passou para a casa dos 25% e, no início de 2008, superou a barreira dos 30%, atingindo a marca dos 40% no começo de 2011.

Comprometimento da renda com dívidas – muito embora tenha recuado significativamente a partir de 2011, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de suas dívidas também deu um salto a partir de 2005, pois saiu dos 15,6% naquele ano os atuais 21,4%. Em Natal-RN este índice permanece na casa dos 36%, o maior do país.

Os economistas brasileiros elencam os três principais fatores para este fenômeno de alta: 1. Em primeiro lugar, está relacionado com o crescimento menor da economia brasileira, que também gera expansão mais contida da renda; 2. com o aumento da inflação, que ao corroer o poder de compra da população aumenta também a parcele da renda real para saldar as dívidas antigas, e; 3. também, com a manutenção da política de incentivo ao crédito por parte do governo federal, notadamente aqueles voltados para a aquisição da cada própria e de eletrodomésticos.

Com renda cada vez mais comprometida, família brasileira passa a consumir menos, aumentando o risco de estagnação econômica e de inadimplência, fatores que - somados - desestabilizam a economia
 
Segundo os mesmos analistas, o ponto mais perigoso desta equação é o aumento da inflação – que este mês voltou a estourar o teto da meta do governo para este ano – pois ao corroer o poder de compra dos assalariados, principalmente da população de mais baixa renda, também corrói sua reserva para quitar suas dívidas e aumenta o risco de inadimplência. 

Todo este cenário tem feito com que os bancos tomem medidas mais cautelosas para fornecer empréstimo a curto prazo para as classes mais econômicas mais pobres (C, D e E), valendo-se do aumento da taxa de juros e impondo critérios mais rígidos na hora de fechar um contrato, fato que afeta diretamente o consumo e, consequentemente, o crescimento das indústrias que operam nestes setores.

Recentemente o IBGE apresentou dados comprovando esta tendência de desaceleração da indústria de bens semiduráveis e não duráveis, alertando para o fato de que, mantida esta baixa demanda, todo o PIB brasileiro sofrerá as consequências em 2013 e 2014.

Fontes:
G1
 
Fecomércio de São Paulo
 
Agência Brasil
 
O RESTAURADOR
http://www.joseboas.blog.br/2013/10/industria-parada-sinaliza-piora-no-pib.html