terça-feira, 1 de outubro de 2013

Analfabetismo no Brasil volta a subir: atinge 33,7% da população, mas índice pode ser de até 76%


Por: José Boas

A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) feita pelo IBGE divulgou seus resultados na última sexta-feira (27.09). Os dados mostram que taxa de analfabetismo parou de cair e registrou pequeno aumento nos últimos dois anos (2011 e 2012). Desde que a Pnad passou a cobrir o País inteiro, em 2004, é a primeira vez que o índice ficou maior do que no ano anterior.

A taxa de analfabetismo no Brasil ainda é grande, atingindo mais de 30% da população

 A proporção de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever – analfabetos absolutos – passou de 8,6% em 2011 para 8,7% em 2012. Em números absolutos, quer dizer que o Brasil “ganhou” 297 mil analfabetos, de 12.8 milhões para 13.1 milhões.

O Nordeste é, mais uma vez, a região que mais preocupa, pois a taxa subiu meio ponto porcentual em um ano, passando de 16,9% para 17,4%. Isso quer dizer que 54% dos jovens brasileiros com 15 anos ou mais de idade e que são analfabetos vive nessa região. Alagoas é o Estado com os dados mais preocupantes: um em cada cinco habitantes de 15 anos ou mais (21,8% dos jovens com essa idade) não sabe ler nem escrever. A taxa é a mesma registrada pela Pnad 2011. No Centro-Oeste, a taxa de analfabetismo também teve aumento, oscilando de 6,3% para 6,7%.

Os melhores resultados estão na região Sul, que reduziu a taxa de analfabetismo de 4,9% para 4,4% e agora é a região com menor índice. Santa Catarina é o Estado com a menor taxa de analfabetismo do País, com 3,1%.

Analfabetismo funcional – muito embora o IBGE insita em dizer que o número de analfabetos funcionais no Brasil venha caindo ano após ano, os dados do Censo 2010 contradizem esta afirmação.

A última pesquisa nacional (2010) demonstrou que um entre quatro brasileiros não tem capacidade de ler e interpretar um texto simples, sendo a região Nordeste – mais uma vez – a que concentra o maior percentual de pessoas carentes em educação rudimentar: 30,8%.

Pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro afirma: 76,7% dos brasileiros sofre de algum grau de analfabetismo
 
Somando-se os dados oficiais do universo de analfabetos absolutos (8,7%) com os analfabetos funcionais (25%), temos um quadro alarmante: nada menos que 33,7% dos brasileiros (67,4 milhões de pessoas) estão em estado de indigência intelectual.

Porém o quadro pode ser ainda pior, pois uma pesquisa independente realizada pelo Instituto Paulo Montenegro em 2005 dá conta de um contingente muito maior de analfabetos funcionais no Brasil: 68% da população, que somado ao índice de analfabetos totais contempla mais 76,7% dos brasileiros. Este índice foi atingido depois de o IBOPE realizar pesquisa nacional com 2.002 pessoas em todo o território nacional utilizando um questionário simples e textos que deveriam ser lidos e interpretados.

Analfabetismo funcional entre universitários - No ano passado, o mesmo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa divulgaram o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) entre estudantes universitários do Brasil. O índice atingiu a marca de 38% do total da amostra pesquisada, refletindo o expressivo crescimento de universidades de baixa qualidade durante a última década.

38% dos estudantes universitários brasileiros são analfabetos funcionais
Todos estes dados demonstram que o governo, desde 1889, faz da educação brasileira um produto de marketing político efêmero e sem compromisso real com o futuro do País. Esse tipo de desinteresse pela evolução social é típico de mentes ditatoriais, pouco importando, neste caso, se o discurso vem da direita ou da esquerda... esta política pró-ignorância é mantida por todas as forças políticas do século XX no Brasil e o MEC tem papel preponderante neste sistema sórdido.” (José Boas)