segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O quê explica o entusiasmo que houve pelo nascimento do bebê real inglês?

Por: Luis Dufaur para o Washington Post


O nascimento do filho do príncipe William e da duquesa de Cambridge Kate Middleton desencadeou uma onda de alegria e simpatia no mundo inteiro.



Passado o primeiro momento, a reflexão sobre o acontecimento provoca surpresos e admirados comentários.

O porvir da dinastia Windsor está garantido”: a manchete não foi de um jornal sério, mas do tabloide “The Sun”, o qual percebeu que seus leitores, inclusive os republicanos, se regozijavam de forma esmagadora com a feliz notícia para a monarquia.

Sociólogos, peritos e comentaristas ‘progressistas’ queimam os neurônios tentando “explicar a enorme popularidade da família real britânica” – comentou o jornal progressista e socialista francês Le Monde.



As pesquisas apontam o príncipe William, o feliz pai, como mais popular que a rainha, cujo índice de aprovação superou 90% durante o Jubileu de Diamante em 2012. Só 17% dos interrogados se disseram abertamente republicanos, mas muitos deles partilhavam a emoção e o entusiasmo pelo bebê real.

A coroa da Inglaterra se mostra mais sólida do que nunca. Entretanto, a mídia parecia ter feito tudo para demoli-la, sobretudo com a exploração do caso da princesa Diana.

Com seus 87 anos, Elizabeth II triunfa, representando a imagem venerável do velho Império que hoje faz parte da história.

Mas também hoje – lacrimeja o Le Monde – o lobby anti-família real só recruta adeptos no jet-set intelectual e artístico de Londres. A república protestante radical que Cromwell instalou de 1649 a 1660 só deixou a imagem de um ditador envolto em más lembranças.

O Times, velho jornal de Londres, escreve que “o soberano é um símbolo do país e ajuda a defini-lo”.

E o Le Monde conclui que a sobrevivência da dinastia remonta à noite dos tempos, repousa sobre a aprovação de seus súditos, e que “os Windsor compreenderam perfeitamente isso”.

Após redigir seu artigo, o jornalista francês pode perfeitamente ter saído para tomar um delicioso lanche numa cafeteria de Paris. E ali então terá voltado a ouvir os intérminos impropérios faiscantes dos franceses contra o presidente socialista Hollande.

Críticas feitas com a penetração com que em anos anteriores eles vituperavam seus predecessores à testa da “République Française”.

Fonte: http://ipco.org.br/ipco/noticias/explica-entusiasmo-houve-nascimento-bebe-real-ingles