terça-feira, 24 de setembro de 2013

Brasil é o 13° país mais caro para se investir no mundo

Nesta semana a presidente Dilma Roussef, em viagem aos Estados Unidos, fará o trabalho de "menina propaganda" do Brasil para investidores exteriores. Sua tarefa é árdua, pois segundo dados divulgados pelo Instituto de Estudos para do Desenvolvimento Industrial - IEDI - o país vem se tornando um local cada vez mais caro para se investir. Ao contrário do que quer afirmar o munistro Guido Mantega, o volume de investimentos no Brasil sequer é satisfatório e fica bem longe dos índices registrados em décadas passadas. 

Pelos dados divulgados, evidencia-se cada vez mais que a queda do investimento diretos no Brasil são, sim, resultado da crise econômica e da infra-estrutura sempre deficiente, mas não somente isso. O peso e a burocratizada carga tributária também são fatores preponderantes para explicar o porquê das  "empresas que operam cadeias produtivas globais e que escolhem onde vão se instalar, [ao olharem para] o Brasil, decidam ir para outro lugar", afirma Cristina Reis, consultora do IEDI.

Este encarecimento não vem de hoje. Em 1895 o Brasil era o 54° país mais caro para se investir, em 1990 o 36°, melhorou um pouco em 2000 ao se tornar o 39°, mas piorou muito uma década depois (2010) ao atingir o 13° posto entre cinquenta e quatro países listados no ranking global do preço do investimento.

Histórico do avanço do Brasil no ranking de países onde é mais caro se investir no mundo. Fonte: Jornal Valor Econômico 

E para onde vão os investidores que Dilma quer trazer para cá? Em busca de maior segurança para seu capital e maiores possibilidades de desenvolvimento, eles preferem nossos concorrentes diretos como os Tigres Asiáticos e os outros BRICS: Índia, Rússia e Africa do Sul, ou ainda oMéxico. Atualmente, abrir uma fábrica em território brasileiros torna-se mais dispendioso que em países como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, por exemplo.

Outro dado levantado pelo IEDI e que desmente Mantega e Dilma é o crescimento do mercado interno. É inegável que ele cresceu graças à expansão da dita "nova classe média" formada às custas de endividamento pessoal e de programas assistencialistas do Estado, mas ele tem demonstrado cada vez mais claramente seu esgotamento. No entanto, os gargalos burocráticos, de infra-estrutura e o peso tributário permaneceram praticamente intocados durante os últimos vinte anos.


É certo que o mercado interno ainda é um dos grandes trunfos do Brasil, mas sem melhorias reais em áreas como infra-estrutura, burocracia e tributação... suportaremos até quando?

Quem declara isso é o Dr. Mauro Thury de Vieira Sá, da UFAM, consultor do estudo."Houve um descompasso. Talvez uma crença excessiva de que apenas o mercado consumidor de massa daria conta [de manter o crescimento econômico]", diz o Professor.

O ranking é montado com base em um estudo desenvolvido pela Universidade da Pensilvânia - EEUUA - chamado de "Penn World Table". Esta base de dados reúne informações econômicas de diversos países e que são confrontadas como, por exemplo, quanto um país gasta em equipamentos e em construção (reforma ou ampliação) e a variação de produtos em estoque em determinado período.

Na análise destes dados - fornecidos pelo BNDES - o pior ano para o Brasil nestes quesitos foi o de 2003, quando os investimentos em capital fixo pelas empresas foi equivalente a 15,3% do PIB, percentual mais baixo desde a estabilização da economia. Já o apogeu foi registrado em 2010, quando esse indicador atigiu a marca de 19,5% do PIB. De lá para cá este índice vem sofrendo altos e baixos, criando um cenário bastante obscuro para os investidores que querem aplicar no Brasil e isso acaba afastando-os e o país perde em competitividade.

Fontes:
Leandra Peres, Valor Econômico;

Canal do Produtor  (http://www.canaldoprodutor.com.br/comunicacao/noticias/custo-do-investimento-fica-mais-caro-no-brasil)