sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Dom Pedro II, Graham Bell e o telefone

Dom Pedro II e Alexander Graham Bell

Em 10 de março de 1876, na cidade de Boston, Massachussetes, o escocês Alexander Graham Bell faz o primeiro teste oficial de seu invento mais audacioso. Dizia ele que, a partir da corrente elétrica era possível transmitir a voz humana. Confirmada a eficiência, Bell patenteou-a: surgia então o telefone!

Em maio desse mesmo ano, Graham Bell levou o telefone para a Exposição Internacional comemorativa ao Centenário da Independência Americana, na Filadélfia, colocando-o sobre uma mesa à espera do interesse dos juízes, o que – a princípio – não correspondeu às expectativas.

A exposição foi aberta com grandes solenidades no dia 4 de junho, um mês antes da data do centenário da independência americana. É uma grande festa. O Imperador do Brasil, D. Pedro II, iniciara uma viagem histórica, que duraria até setembro de 1877. Partindo do Rio de Janeiro a 26 de março de 1876, a bordo do vapor Hevelius, vai a São Francisco da Califórnia. De lá, cruza todo o oeste americano, visita Chicago, Baltimore e chega a Filadélfia para a abertura da Exposição.

À medida que chegavam, pessoas distintas eram mais ou menos saudadas pela multidão, mas, diz o jornal World, a primeira ovação geral e cordial foi para o Imperador do Brasil. Este potentado, que, debalde, tem procurado persuadir os americanos que se deixou a si mesmo no Rio de Janeiro, aproximou-se do estrado dos convidados levando a Imperatriz (Teresa Cristina) pelo braço e seguido pelo Ministro Brasileiro em Washington e dos membros da delegação.

No dia 25 de junho, um domingo quente, o Imperador do Brasil volta à Exposição do Centenário, para uma visita diferente, ou seja, como membro honorário da comissão científica que julgará os inventos, em companhia de algumas celebridades.

Pois bem, nesse domingo, 25 de junho de 1876, D. Pedro II e seus companheiros ilustres da comissão científica passam a tarde percorrendo a exposição e assistindo às demonstrações dos inventos ali expostos. O Imperador sabe que deverá visitar Graham Bell. Ambos já se conheciam, pois Sua Majestade havia assistido a uma aula de Graham Bell para surdos-mudos. Mas, como se demorassem na visita aos estandes do setor de eletricidade, o prazo previsto foi-se escoando.

Ali pelas 19 horas, todos se preparam para encerrar os trabalhos porque o cansaço era visível na fisionomia dos cientistas. O grupo está perto do pavilhão educacional do Estado de Massachusetts, quando Graham Bell surge ao longe... Lembrando-se do Monarca brasileiro em sua aula e sabendo de seu entusiasmo pelas ciências e por tecnologia, o inventor tentou chamar-lhe a atenção acenando-lhe com a mão. Dom Pedro II abriu caminho para a aceitação do invento. Ambos se cumprimentam com a alegria de amigos e D. Pedro pergunta: “Como vai, senhor Bell? E os surdos-mudos de Boston, como estão?”.

Graham Bell responde e convida D. Pedro II com as seguintes palavras: “tenho um aparelho elétrico, uma máquina falante que eu gostaria que Vossa Majestade examinasse”. Um dos outros juízes então tenta dissuadir o Imperador de visitar o estande de Bell, observando que Sua Majestade não deveria perder tempo “com aquele brinquedo infantil do professor Bell”. Mas o Imperador não recua e se dirige ao modesto estande.

Todos se aproximam dos aparelhos, enquanto Graham Bell fica numa ponta do fio, no transmissor, a quase 150 metros de distância. A comissão está impaciente e teme um fiasco. De repente, todas as atenções se voltam para D. Pedro II, que, com o fone ao ouvido, escuta nitidamente a voz de Graham Bell declamando Shakespeare:

- “To be or not to be …”

E não se contém, diante daquela maravilha:

- “My God, it speaks!” (Meu Deus, isto fala!).

A presença de D. Pedro II conferiu novo sentido e talvez a oportunidade extraordinária que faltava para a promoção do invento.  O telefone chegou ao Brasil em 1877, poucos meses depois da exposição de Filadélfia.

O primeiro aparelho a ser fabricado nas oficinas da Western and Brazilian Telegraph Company, especialmente para D. Pedro II, foi instalado no Palácio Imperial de São Cristovão, na Quinta da Boa Vista, hoje o Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

Ainda neste mesmo ano, começou a funcionar uma linha telefônica ligando a loja O Grande Mágico, na Rua do Ouvidor, ao Quartel do Corpo de Bombeiros (a razão por esta loja haver sido pioneira no uso do telefone permanece uma incógnita até hoje).

Em 1883 o Rio de Janeiro já possuía cinco estações de 1000 assinantes cada uma e, ao terminar o ano, estava pronta a primeira linha interurbana ligando o Rio de Janeiro a Petrópolis.

A Brazilian Telephone Company – depois Companhia Telefônica Brasileira (CTB) - de capital canadense, foi fundada em 1888 e foi a primeira empresa de telefonia brasileira atendendo os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Eis o porquê se afirma até hoje que, se não fosse a interferência e a curiosidade científica de Dom Pedro II do Brasil, o invento do Sr. Bell jamais teria se tornado conhecido. Foi graças ao Imperador que o Brasil foi o primeiro país do mundo a ter uma central telefônica em operação no mundo.

telefone dado de presente por Graham Bell a Sua Majestade.
Graças a Dom Pedro II, o Brasil foi o primeiro país do mundo a contar com linhas telefônicas regulares.


Fontes:
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/invencao-telefone-ta-ligado-435126.shtml